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Quarta, 23 Novembro 2016 08:30

A APDMCE conversou com Lourdes Atié, socióloga com pós-graduação em educação

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A APDMCE conversou com Lourdes Atié, socióloga com pós-graduação em educação na Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), na Argentina. Lourdes trabalha com educação e comunicação, produz conteúdos para editoras, edita a revista Pátio e é consultora da Faber Castell, onde trabalha sobretudo na capacitação de professores. Viaja há 40 anos pelo Brasil falando de educação. Ela foi convidada pela APDMCE para um seminário realizado no dia 7 de novembro, com a participação de representantes de 39 municípios cearenses, que abordou o tema "Cidades Educadoras". Os princípios das "Cidades Educadoras" nortearão as ações da Associação nos próximos anos. Confira:

APDMCE – Quando pesquisamos sobre cidades educadoras vemos que não é um tema novo mas é um tema ainda pouco falado no Brasil. Por que o tema ainda é um tão pouco conhecido por aqui? 

Lourdes Atié – Na verdade o Movimento das Cidades Educadoras existe há 20 anos mas no Brasil é novo, bem novo. Temos 500 cidades pelo mundo e no Brasil não chega a 20 e assim mesmo, no Brasil, quem é a comunidade não sabe que é. Então nunca foi tão importante a gente falar desse tema como agora justamente para esclarecer, porque não é uma questão de deixar numa secretaria. Esse evento é muito oportuno porque está começando um novo mandato nos municípios. É muito importante por dois aspectos que para mim me interessa muito: o primeiro que isso não acontece só dentro da educação, exige um trabalho municipal intersetorial; não pertence a nenhuma secretaria. Isso é novo porque no Brasil a gente trabalha de forma muito fragmentada; as secretarias não se falam, então é uma experiência fantástica porque você vai botar para falar. E um segundo aspecto mais importante é que é um exercício de construção de cidadania. É também um momento de alertar porque hoje tem muitas ongs, institutos que oferecem o serviço de “como fazer sua cidade ser educadora” mas isso não funciona, porque o que funciona é experiência, é aquilo que você constrói, e a construção de um município é completamente diferente da construção de outro município porque é uma questão também determinada pela cultura. 

Então é muito oportuno e urgente porque no Brasil a nossa experiência de cidadania é um fracasso, a gente não sabe ser cidadão. Ser cidadão é quando eu quero para o outro o mesmo que eu quero para mim; é quando eu entendo o entorno de mim, o que está além da minha casa, como também me pertencendo e, portanto, eu tenho que cuidar, porque é meu também. Só que  no Brasil nós temos uma tradição, desde quando começa a história do Brasil, o máximo que a gente conquistou foi o direito de consumidor. Então a gente tem uma postura muito Procon: “Vou reclamar”, “tenho meus direitos”, mas isso é muito primário diante do que é ser cidadão. Ser cidadão é você se engajar na causa, é saber qual é a sua colaboração. Isso daqui está ruim? Então eu não vou meter o dedo na cara do secretário! Eu vou chegar ao secretário e dizer: como é que eu posso ajudar? Porque é nosso! Eu acho que o Brasil, nesse momento tão difícil que a gente está passando, que o dinheiro está curto, é um momento superfavorável para o povo se organizar, não para exigir mas para se comprometer e dizer “isso é nosso”. E o que efeito dessa forma é para sempre.

APDMCE - O que dizer para o gestor que está assumindo agora e o município está sem dinheiro? O dinheiro é fundamental? O que ele/ela pode fazer para começar esse trabalho de cidade educadora?

Lourdes Atié –  É a melhor resposta que o município pode dar (começar a trabalhar os conceitos de cidade educadora). É ver que a crise não é negativa. Ela é momento de oportunidade. É na crise que a gente cria novas oportunidades. A crise exige que o prefeito tenha um foco muito definido, metas muito precisas. Ele vai ter que multiplicar o recurso "N" vezes porque também é hora de acabar com essa história comum na política do Brasil de que quando sai uma gestão zera tudo, o outro começa tudo porque quer botar sua marca. A gente viu que quando se tem continuidade todos ganham - como a gente viu no último Congresso das Cidades Educadoras que aconteceu na Cidade de Rosário, na Argentina. Desde 1996 eles estão trabalhando nesse projeto. Então muda (o gestor) mas o projeto não morre, então a cidade só cresce, ela vai ganhando porque é muito maior do que o gestor que está no poder, porque é um projeto de cidade e não de governo. Nunca foi tão bom para o prefeito, eu acho, porque  se ele começar focando no compromisso ele planta uma raiz que se ele não ganhar a próxima gestão a própria comunidade vai exigir de quem vem a continuidade. Não é ele que vai chorar “Ah! Meu projeto acabou!”. Não! A comunidade vai exigir que continue o que está dando certo, então é o fortalecimento da cidade em outra perspectiva.

APDMCE – Como você disse, a nossa visão de cidadão e cidadania ainda é muito incipiente, então você falar de cidade educadora parece uma coisa muito distante. Com esse grau de politização, de participação, de consciência do espaço público como extensão da vida privada, parece uma coisa meio que impossível. É possível, mesmo com essa esse grau de desarticulação comunitária?

Lourdes Atiê - Na verdade só é possível! Eu acho que na verdade assusta o nome, falar de cidade educadora. “Ai meu Deus, é outro programa que eu vou ter que disponibilizar”. Não é nada disso. O que caracteriza a cidade educadora é a simplicidade das propostas. Ser uma cidade educadora é ter um olhar cuidadoso e criterioso pro básico, não são obras pirotécnicas. Não é para fazer ponte... É para dizer: não jogue lixo no chão, cuide para que as crianças andem sozinhas na rua, vamos ocupar a rua! A rua é lugar de todos!  É numa perspectiva de amparar todo mundo, é uma cidade amigável, que não exclui, que não é dividida em lugar de rico e lugar de pobre, é um lugar em que todos se ajudam, é um lugar em que eu tenho uma consciência local mas eu também estou antenada ao que está acontecendo no planeta porque tudo nos afeta. É como se a gente subisse um outro degrau civilizatório.

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