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Segunda, 22 Março 2010 14:30

Professora, aos 91 anos, ensina a bordar e envelhecer com maestria

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Dona Ana Brasil Barreto Cavalcante, 91 anos, 13 filhos, mais de 40 netos e 20 bisnetos, duas vezes por semana sai de casa no bairro de Fátima em Fortaleza, acompanhada de uma das filhas, para trabalhar. Sim, dona de casa desde sempre, este mês ela aceitou o convite do Instituto Nordeste Cidadania, e se tornou professora. No Lar Torres de Melo, tradicional instituição localizada no bairro Jacarecanga, ela ministra, até o próximo dia 21, um curso de bordado e crochê para idosas ali abrigadas.

O exemplo de vitalidade, lucidez e criatividade de Dona Ana tem sido um estímulo para as internas. "O curso está ótimo, além do bordado a gente aprende tanta coisa. Ela é um amor de gente. Queria chegar nessa idade daquele jeito", elogia Helena Barbosa de Araújo, 71 anos, uma das alunas de Dona Ana. "Era para eu ter conhecido ela quando era novinha. Perdi muito tempo", comenta Francisca Pacheco, de 73 anos, que considera o curso muito bom.

O trabalho é uma das vertentes do Projeto Arte-Identidade Gerando Renda com Cidadania, do INEC, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), criado por funcionários do Banco do Nordeste. "O objetivo do projeto é, por meio da arte, despertar o potencial criativo, fortalecendo a identidade pessoal e coletiva", diz a Presidente do INEC, Cássia Regina Andrade.

Os princípios norteadores do projeto têm como base a Educação Biocêntrica, que trabalha o lado saudável de uma pessoa ou comunidade, estimulando a vitalidade, a criatividade, o prazer, a afetividade e a transcendência. "No caso do curso ministrado pela Dona Ana, quisemos enfocar o saber envelhecer com maestria. Ela é um exemplo. Aos 91 anos, é uma artista, saudável, ativa, lúcida, uma pessoa que reza, que agrega", afirma Cássia, que se encantou com os bordados e vivência de Dona Ana e a convidou para ensinar às idosas do Lar Torres de Melo.

Natural de Pedra Branca, no interior do Ceará, Dona Ana reside em Fortaleza desde 1982. "Nunca trabalhei fora, só cuidei dos filhos. Hoje todos são formados. Posso dizer que é meu primeiro emprego", conta sorrindo. Ela diz estar muito satisfeita em dar o curso. Ganha por hora-aula, mas diz que isso não é o importante. Gostaria de ser voluntária, se morasse mais perto.

"Comecei com 14 alunas, agora são 20. Ficam três mesas cheias. Quando cheguei, vi algumas com 60, 70 anos só paradas. Falei para elas: 'se vocês ficarem sem fazer nada vão ficar com caduquice'. Acho bom ensinar, estar com elas, vendo que estão aprendendo. Muitas não sabiam pegar numa agulha", relata a nova professora.

Espirituosa, Dona Ana dá o conselho para bem envelhecer? "Ocupe a mente com alguma coisa para não dar a doença que tem um nome tão bonito - Alzheimer - mas que não presta para nada".

Cada aluna recebeu um kit com tesoura, linhas, agulhas e tecido, bancado pelo INEC. A bolsinha para guardar tudo foi uma criação da própria Dona Ana, revela a filha Teresa Cavalcante, que faz rodízio com as irmãs para acompanhar a mãe ao Lar Torres de Melo. O regime de aulas é puxado: das 13 às 17h. No meio dos ensinamentos de bordado e crochê, a filha escalada para o dia atua como uma monitora, auxiliando alguma aluna a por a linha na agulha, por exemplo. Mas a aula é de Dona Ana, que faz questão de dar acompanhamento personalizado a cada aluna.

E as filhas aprenderam a lição em casa? A psicopedagoga Ruth Cavalcante, que também faz parte do rodízio, garante que sim, embora reconheça não ter a mesma habilidade da mãe. Para Ruth, o bordado tem muito significado e percebe isso no encontro da mãe com as alunas. "É ir juntando as coisas, as conversas". E é Ruth quem lembra versos de "A Linha e o Linho", de Gilberto Gil: "É a sua vida que eu quero bordar na minha / Como se eu fosse o pano e você fosse a linha".

Pelo ensinamentos que vão além do manejar linha e agulha, as alunas só têm elogios para Dona Ana e suas aulas de bordado em xadrez, ponto de cruz e crochê. Elas querem que o curso seja estendido. "Coloca aí que a gente quer que arranjem mais aulas", pede Helena Barbosa.

Mais informações: Ana Brasil Cavalcante, professora de bordados – (fone: 85 9620 4050 / Cássia Regina de Andrade, Presidente do INEC – (fone: 85 3299 3351) / Lar Torres de Melo – (fone: 85 3209 9203)
Fonte: Agência da Boa Notícia – (fone: 85 3224 5509)

Lido 7045 vezes Última modificação em Quarta, 18 Maio 2016 14:32

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